Polígono das Secas

Os municípios que formam o polígono das secas são aqueles relacionados no Manual de Preenchimento da DITR, situados nos Estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, compreendendo grande parte do Nordeste brasileiro geoeconômico. É reconhecida pela legislação como sujeita à repetidas crises de prolongamento das estiagens e, conseqüentemente, objeto de especiais providências do setor público.

Constitui-se de diferentes zonas geográficas, com distintos índices de aridez. Em algumas delas o balanço hídrico é acentuadamente negativo, onde somente se desenvolve a caatinga hiperxerófila sobre solos delgados. Existem também áreas, de balanço hídrico positivo e presença de solos bem desenvolvidos. Contudo, na área delimitada pela poligonal, ocorrem, periodicamente, secas anômalas que se traduzem na maioria das vezes em grandes calamidades, ocasionando sérios danos à agropecuária nordestina e graves problemas sociais.

O Polígono abrange oito, dos nove Estados nordestinos - o Maranhão é a única exceção e corresponde a 962.857,3 km² da área que corresponde a Região Nordeste. Tem diferentes zonas geográficas, com distintos índices de aridez. O combate às secas vem sendo feito com a construção de açudes e distribuição de verbas às prefeituras dos municípios atingidos.

Estudos indicam que o fenômeno da seca remonta a milhares de anos, antes mesmo da ocupação humana no Nordeste brasileiro. De acordo com dados da Coordenação de Defesa Civil da extinta Sudene, a ocorrência de secas na Região se verifica desde antes da chegada dos europeus ao continente. Alguns vestígios de barragens foram encontrados em rios no Estado do Ceará, o que, segundo relato do historiador Pompeu Sobrinho, mostra que o homem nativo do Nordeste já utilizava pedras para represar a água dos rios.

As causas das secas têm proporção planetária e são influenciadas por diversos fatores, dentre os quais vale destacar: diferença de temperatura superficial das águas do Atlântico Norte, que são mais quentes, e do Sul, frias; deslocamento da Zona de convergência intertropical para o Hemisfério Norte, em épocas previstas para permanência no Sul; e o aparecimento do fenômeno conhecido como El Niño, caracterizado pelo aumento da temperatura no Oceano Pacífico Equatorial Leste. A topografia acidentada do Nordeste e alta refletividade da crosta são os principais fatores locais inibidores da produção de chuvas.